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Uma pessoa deveria, pelo menos todos os dias, ouvir uma pequena canção, ler um bom poema, ver uma bela imagem e, se possível, dizer umas poucas palavras sensatas. (Goethe)

sábado, 8 de janeiro de 2011

O amor é terno


Meu amor é feijão com arroz,
meu amor é café com pão,
comida de todo o dia.
Boto a toalha limpa
com alguns remendos
e sirvo meu bem
do que tem de mais trivial.
Meu amor é normal.
cachorrinho de rua.



Lena de Jesus Ponte

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Parceria



Ficamos assim:
você joga as queixas do telhado,
eu ponho as manias de lado;
você lava a escadaria,
eu rego o jardim.
Podemos varrer juntos
as nódoas secas aderentes ao passado.
Se você se habilita, eu me disponho,
num desafio à desdita.
Você acende a luz,
eu desempeno o sonho;
enquanto você ensaia o passo,
eu troco a fita.
Na mesa torta, a toalha colorida.
O resto é fácil:
basta mandar flores ao futuro,
derrubar o muro e acreditar na vida.



Flora Figueiredo
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domingo, 28 de novembro de 2010

Rotineira


li jornais
andei em coletivos
subi em elevadores
paguei contas
fiz cálculos
assinei recibos
agora vou para casa
onde me mantenho
voluntariamente
em prisão domiciliar


Helena Ortiz

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Flores do campo


Abra bem os olhos e apenas veja: são flores do campo que nasceram sem que ninguém as plantasse.
Em volta delas, o som de águas claras


Estela



Foto: Visconde de Mauá (ainda com a máquina antiga)

sábado, 2 de outubro de 2010

Chuva


Ontem choveu.
A água molhou meu rosto,
meus pés, meus sapatos novos
e minha roupa de sair.
Quando o sol voltar
vou andar descalça
e secar os meus cabelos...


Estela

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Árvore


Pela vida nelas contida ele amava
a maioria das coisas vivas,
Mas uma árvore, principalmente.

Philip Edward Thomas (1878 -1917)

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Matinas



Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espíritos.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.


Neide Archanjo