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Uma pessoa deveria, pelo menos todos os dias, ouvir uma pequena canção, ler um bom poema, ver uma bela imagem e, se possível, dizer umas poucas palavras sensatas. (Goethe)

domingo, 30 de outubro de 2011

Bucólica


Ser uma árvore
plena de silêncio
ainda que sob os ramos
o pássaro da infância
ressuscite as tardes brancas
a menina e as tranças.


Neide Archanjo

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

MINHA GRANDE TERNURA


Minha grande ternura
Pelos passarinhos mortos,
Pelas pequeninas aranhas

Minha grande ternura
Pelas mulheres que foram meninas bonitas
E ficaram mulheres feias;
Pelas mulheres que foram desejáveis
E deixaram de o ser;
Pelas mulheres que me amaram
E que eu não pude amar.

Minha grande ternura
Pelos poemas que
Não consegui realizar.

Minha grande ternura
Pelas amadas que
Envelheceram sem maldade.

Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho que
São o único enfeite
De um túmulo.



Manuel Bandeira
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domingo, 24 de julho de 2011

Mudança



Meu coração fecho com receio
ao desmontar a casa.
De tanta coisa, das minhas coisas
abro mão – nem titubeio.
Do tempo dotado de asa
tomo decisão sob inspeção.
Tranco angústia, emoção,
só não seguro o sono,
razão da caneta na mão.
No papel, o pensamento vaza,
se dispersa de madrugada.

Manhã marcada, uns homens de chegada.
Doutores vasculham antes de,
em poucas horas, tornar vazia
a casa. Intácto só o quintal.
Seus verdes, rosas, romã pendente.
Na sucessão, o trevo, a rodovia,
presente o sopro quente da estiagem.
A ausência dos meus olhos na paisagem,
fez falta não. Tudo sei de cor.


Olga Amorim

terça-feira, 14 de junho de 2011

Para ser grande



Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa

domingo, 29 de maio de 2011

Lua - luar


Escuto leve batida.
Levanto descalça, abro a janela
devagarinho.
Alguém bateu?
É a lua-luar que quer entrar.


Cora Coralina (Meu livro de cordel)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Bom era caminhar sem dono


Bom era caminhar sem dono
na tarde
com pássaros em torno
e os ventos nas vestes amarelas

Não ter nunca chegada
nunca optar por nada.
Ir andando pequeno sob a chuva
Torto como um pé de maçãs.


Manoel de Barros


Figura: galeria.colorir.com
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terça-feira, 5 de abril de 2011

Colhamos flores



Fernando Pessoa


Exposição sobre a obra do poeta no Centro de Cultura Correios no Rio de Janeiro.
Veja mais AQUI.
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