Seguidores da Poesia

Uma pessoa deveria, pelo menos todos os dias, ouvir uma pequena canção, ler um bom poema, ver uma bela imagem e, se possível, dizer umas poucas palavras sensatas. (Goethe)

domingo, 14 de março de 2010

Os Perfumes


Alma das flores - quando as flores morrem,
os perfumes emigram para as belas,
trocam lábios de virgens - por boninas,
trocam lírios - por seios de donzelas!

E ali - silfos travessos, traiçoeiros,
voam cantando em lânguido compasso,
ocultos nesses cálices macios
das covinhas de um rosto ou dum regaço.


Castro Alves


- Hoje, dia 14 de março comemora-se, aqui no Brasil, o Dia Nacional da Poesia. Data escolhida por ser o dia de nascimento de Castro Alves.
Para saber mais deste nosso grande poeta clique AQUI.



Ilustração: Alfred Guillou - Bouquê Matinal

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher é sempre mulher


Se a jovem não nos quer, tomaremos a mãe, e daremos alegrias a todas.
Que os seios sejam pequenos como limões, ou enormes como abóboras, ou enrugados como pele de elefante, ou moles como arroz cozido, mulher é sempre mulher.
E faremos o amor com todas.


As mil e uma noites ( do livro Hinos ao Prazer – seleção e tradução de Mansour Challita)



Ilustração: Giulio Rosati - The harem dance

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

BELIEVE




crie seus versos

escreva-os no chão, nas praças

... nos tetos,

faça-os como " Aleijadinho"

deixa-os ouro e quietos,

na forma, no toque... nas asas,

deixa-os olharem sozinhos o poema,

a arte (obrigada pela bondade!)

que há em ti.


Andréa Abdala


Foto de Estela - Árvore do Jardim do Flamengo - RJ

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A goiabeira



Se eu pudesse voltar no tempo,
Voltaria àquele
Em que eu subia nos teus galhos
E ficava lá no alto te abraçando,
Tirando as cascas do teu tronco.

Voltaria no tempo em que
Entregava-me ao cheiro e ao sabor das tuas frutas,
E ficava encantada pela delicadeza das tuas flores.
Tempo em que meus sonhos voavam livres
Como os passarinhos que te visitavam.



Estela (março de 2005)

Foto de Estela - Goiabeira do quintal da casa da minha mãe.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

FIM DE INVERNO




Na verde encosta coberta de asas
já repica um azul de violetas.
Somente ao longo da floresta escura
demora a neve em línguas dentilhadas,
mas gota a gota vai-se desfazendo
atraída pela sede da terra.
No pálido céu alto pastam alvos
rebanhos de nuvens. Um pintassilgo
em amoroso canto se desfaz:
- Homens, amai-vos e cantai em paz!

Herman Hesse


Foto: Dario Lima - Flickr

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Rio em flor de janeiro



A gente passa, a gente olha, a gente pára
e se extasia.
Que aconteceu com esta cidade
da noite para o dia?
O Rio de Janeiro virou flor
nas praças, nos jardins dos edifícios,
no Parque do Flamengo nem se fala:
é flor é flor é flor,
uma soberba flor por sobre todas,
e a ela rendo meu tributo apaixonado.
Pergunto o nome, ninguém sabe. Quem responde
é Baby Vignoli, é Léa Távora.
(Homem nenhum sabe nomes vegetais,
porém mulher se liga à natureza
em raízes, semente, fruto e ninho.)
Iúca! Iúca, meu amor deste verão
que melhor se chamara primavera.
Yucca gloriosa, mexicana
dádiva aos canteiros cariocas.
Em toda parte a vejo. Em Botafogo,
Tijuca, Centro, Ipanema, Paquetá,
a ostentar panículas de pérola,
eretos lampadários, urnas santas,
de majestade simples. Tão rainha,
deixa-se florir no alto, coroando
folhas pontiagudas e pungentes.
A gente olha, a gente estaca
e logo uma porção de nomes populares
brota da ignorância de nós todos.
Essa gorda baiana me sorri:
– Círio de Nossa Senhora... (ou de Iemanjá?)
– Vela de pureza, outra acrescenta.
– Lanceta é que se chama. – Não, baioneta.
– Baioneta espanhola, não sabia?
E a flor, que era anônima em sua glória,
toda se entreflora de etiquetas.
Deixemo-la reinar. Sua presença
é mel e pão de sonho para os olhos.
Não esqueçamos, gente, os flamboyants
que em toda sua pompa se engalanam
aqui, ali, no Rio flóreo.
Nem a dourada acácia,
nem a mimosa nívea ou rósea espirradeira,
esse adágio lilás do manacá,
esse luxo do ipê que nem-te-conto,
mais a vermelha aparição
dos brincos-de-princesa nos jardins
onde a banida cor volta a imperar.
Isto é janeiro e é Rio de Janeiro
janeiramente flor por todo lado.
Você já viu? Você já reparou?
Andou mais devagar para curtir
essa inefável fonte de prazer:
a forma organizada
rigorosa
esculpintura da natureza em festa, puro agrado
da Terra para os homens e mulheres
que faz do mundo obra de arte
total universal, para quem sabe
(e é tão simples)
ver?

Carlos Drummond de Andrade



Foto: galeria de sftrajan do Flick - Yucca gloriosa

sábado, 26 de dezembro de 2009

Das coisas que eu gosto



Gosto dos dias chuvosos, nublados, eles me fazem sonhar.
Gosto da vida mais tímida, da vida com mais sortilégios.
Gosto quando o sol brilha depois de uma chuva. Dos pingos da chuva que brilham como gotas de cristal, nas folhas, nas flores e nas vidraças das janelas fechadas.
Gosto de fazer as coisas fora do óbvio. Gosto de usar minha criatividade fora de datas óbvias.
Não quero me limitar a viver apenas do que faz sentido.
Gosto de prazeres simples. De andar descalça, de arvoredos, de banhos de chuva, das águas dos rios, de canteiros floridos, de andar a toa, de chocolate, de ler poesias.
Gosto de namorar... um namorinho gostoso entre goles de vinho.
Gosto do amor alegre, mesmo o amor que não deu certo, do amor que termina.
Gosto da música, mágica e poderosa. Ela é o veículo mais delicado e sutil para a manifestação das nossas emoções.
Gosto do tempo, que não espera por ninguém.
Tempo para o amor, para os amigos, para o trabalho, para acertos e desacertos.
E saber que sempre haverá tempo para centenas de indecisões

Estela (Eu)